A teoria do abandono*
a melhor coisa que eu tenho é poder lembrar-me das coisas.
tu a voares sempre mais alto que toda a gente.
a noite é igual ao dia porque o tempo é coisa que há muito se desfez. deu lugar a um estar que já não se entende. a um sofrer que é demasiado hediondo para sequer se continuar a sentir. o corpo viaja por rumos muito diversos. perdido. e vai regando o chão e os dias com o pranto que nunca deixa de se chorar. a alma. essa há muito que se deixou ficar. não aprendeu a dor. mas aprendeu a fingir que nao sentia. aprendeu a demorar-se nos lugares onde antes sabia beber sentidos. e sorrisos. e a vida inteira.